Existe uma diferença entre ser um grande goleador e compreender a arte de fazer gols. Romário dominava as duas coisas.
Com apenas 1,67 metro de altura, o Baixinho construiu uma das carreiras mais impressionantes da história do futebol brasileiro. Sua principal característica não era a força física, a velocidade explosiva ou o jogo aéreo. Era a capacidade de antecipar movimentos e encontrar espaços antes dos defensores.
Romário parecia enxergar o gol antes de todos.
Sua passagem pelo PSV Eindhoven e pelo Barcelona mostrou ao mundo que um atacante não precisava dominar todas as regiões do campo para ser decisivo. Bastava compreender perfeitamente onde deveria estar no momento certo.
No Barcelona de Johan Cruyff, formou uma dupla ofensiva memorável com Hristo Stoichkov e foi protagonista de uma temporada histórica em 1993/94.
Mas foi com a camisa da Seleção Brasileira que construiu um dos capítulos mais importantes de sua carreira.
Na Copa do Mundo de 1994, Romário assumiu a responsabilidade de liderar o ataque brasileiro. Com gols decisivos, personalidade e uma parceria eficiente com Bebeto, conduziu o Brasil ao tetracampeonato mundial, encerrando um jejum de 24 anos.
Ele foi eleito o melhor jogador do torneio.
Sua influência também está na maneira como os atacantes passaram a interpretar a movimentação dentro da área. Romário demonstrou que posicionamento, frieza e precisão poderiam ser tão importantes quanto força e velocidade.
Seu estilo aparentemente despretensioso escondia uma leitura de jogo extraordinária. Um pequeno toque, uma mudança de direção ou um movimento nas costas do zagueiro eram suficientes para transformar uma jogada comum em gol.
Romário não precisava participar de todas as ações para decidir uma partida. Muitas vezes, precisava apenas de uma oportunidade.
O que Romário deu ao futebol: uma referência histórica de eficiência ofensiva, inteligência de posicionamento, frieza na finalização e uma das maiores atuações individuais da história das Copas do Mundo.



